JDS, 21/03/2011 – 05:30h
Hoje acordei de um sono pesado e sem sonhos, querendo não acordar. Dormi refletindo sobre uma conversa que tive com um amigo ontem, sobre a insignificância do ser.
É insignificância mesmo, onde nada desses nossos bens, conquistas, orgulhos e vaidades nos levam a algum lugar.
De repente tudo fica mais claro e dando-se conta disso, percebo o quão importante é viver a vida com mais gosto, com menos ganância, com menos mágoas guardadas.
Afinal ,daqui nada se leva.
Parafraseando-o , se eu tivesse tomado conta disso antes, teria vivido a vida com mais prazer, sido mais porra louca e aproveitado melhor os momentos que vivi.
É claro que dá tempo de ser feliz hoje, de escolher novamente um motivo legal pra não remoer o passado, para dizer que aprendi.
(...)
JDS, 23/03/2011 – 15:00h
A gente não tem muito tempo em vida para dizer eu te amo.
Não tem, isso é fato.
Meu avô paterno é de uma geração de homens que aprenderam a fazer tudo, seja por força da necessidade, seja pela curiosidade.
Músico, carpinteiro, marceneiro, construtor, eletricista, agricultor, apicultor, e mais umas coisas que não lembro, o vô Armando fazia de tudo um pouco.
Autodidata, lia muito, estava sempre informado e morreu teimoso, lúcido e culto.
Extremamente culto.
Sempre foi do mundo, tinha um espírito empreendedor... e lembro de poucas vezes em que estivemos juntos.
De boas lembranças guardo algumas fotografias d'ele me segurando no colo, um tempo em que morou conosco, o casamento da minha prima - em que o acompanhei segurando-o pelo braço - e alguns minutos de conversa que tivemos em algumas visitas que fiz a ele, quando este já residia em uma casa de repouso em Curitiba.
Neste último Natal, não fui visitá-lo.
As férias passaram e o pedido de benção ficou para mais tarde, tanto que não deu tempo de pedir... E o remorso me atravessou como uma lâmina.
(...)
CWB, 23/03/2011 – 23:35h
Senti-me profundamente envergonhada ao vê-lo deitado em um caixão, afinal sempre digo que as pessoas necessitam de homenagens em vida, fora disso, nenhuma delas contam no caderno de recordações.
A dor somada a certas emoções causa reações explosivas nas pessoas mais equilibradas e sóbrias... e nesse momento a força do perdão para quem eu devia ecoou feito barulho de vento em meus ouvidos, pulsou sem precedentes em minhas veias e embargou minha voz.
Sobram poucas palavras para expressar os sentimentos conturbados, as lembranças esquecidas, os exemplos citados pelo meu pai em meio a histórias de infâncias perdidas, remoídas e passadas a ferro e fogo, de geração em geração.
(...)
JDS, 16/05/2011 – 04:30h
É preciso compreender que o amor que damos é 70% fruto do amor que recebemos, portanto dificilmente conseguimos transcender a barreira da mágoa para escolher apenas ser feliz.
Ao invés disso perdemos tempo ao querer ter razão em tudo.
... estou tentando deixar a razão de lado... aprender a perdoar de verdade.
O exercício do silêncio verbal é uma excelente assertiva, mas existe um silêncio ainda mais importante, do qual esquecemos porque não emite sons:
Os pensamentos que não param.
Transitam no tempo, atravessam rios inteiros de lágrimas e longas manhãs de perfumes e sorrisos. Esses pensamentos precisam aprender a silenciar no momento em que a dor é inevitável, quando escolher ou não o sofrimento diz a direção que daremos para o curso da nossa vida.