E você se preocupa mesmo com o fim do mundo?
Estupefata com as imagens mostrando as tragédias ocorridas anteriormente (em 2010, no terremoto em que morreu Zilda Arns) no Haiti e agora recente no Japão, me encontro em uma situação de impossibilidade e recusa de não pensar no assunto.
Quando lançaram o filme 2012, muita gente ficou desesperada pois ele lança mão de uma teoria que, segundo o calendário maia, representa o fim dos tempos, ou o final de um ciclo de contagem longa. Pesquisei um pouco a respeito e confesso que não entendi muito bem como seria essa tal “contagem longa”, mas de acordo com alguns postulados, muita coisa mudaria a partir deste ano. Ao que me consta (posso estar errada nesta afirmação, ela surgiu de uma conversa com um caro amigo, muito mais ligado nessas coisas do que eu) é que a terra sofrerá uma inclinação de 90° em seu eixo, o que ocasionariam grandes desastres naturais e mudaria completamente a nossa visão do mundo tal qual é hoje, culminando no dia 22/12/2012.
Por suposto, o mundo acabaria então, e uma nova concepção de mundo deverá ser digerida por todos nós. É que somos assim, pequenos, insignificantes e nos colocamos no patamar de semi-deuses, hora porque inventamos a bomba atômica, hora porque desenvolvemos tecnologias avançadas para auxiliar no cotidiano, entre tantas outras divagações de cunho sócio-tecnológico.
O fato é que não somos nada, e quando nos conscientizarmos do nada que somos, certamente estaremos mais preparados para fatalidades.
- Ok, antes que me crucifiquem eu não estou afirmando que sou fria, estou apenas dizendo que me choca, mas não me surpreende que tantos desastres naturais estejam acontecendo nos últimos tempos. -
Na realidade o que me causa espanto é a afirmação da condição dos acontecimentos estar ligada ao tamanho da crença ou da fé em Deus dos indivíduos afetados. Será que fui clara? Sempre escutei que Deus não era vingativo, que continuaria a ser Deus sem mim, e que principalmente, me deu livre arbítrio. Com a opinião formada hoje, afirmo que, para mim (Veja, isso é a minha opinião, logo tomo isso como certo para mim, ta bem? Não estou dizendo que é verdade absoluta nem que você precisa acreditar ou se convencer disso, certo?), castigo nada mais é que conseqüência, cuja qual, posso arcar por dias, meses, anos, ou até mesmo a vida toda.
Voltando ao ponto, lembro que em 2008, boa parte do Estado de Santa Catarina ficou debaixo d’água, houveram inúmeros deslizamentos, desabamentos e tragédias de proporções assustadoras. Pouco tempo depois foi a vez do estado do Alagoas ficar ilhado e as manchetes e notícias dos jornais sensibilizaram não só o país como boa parte do mundo. Muita gente perdeu tudo e outra tanta gente perdeu pouco, mas esse pouco era só o que tinha.
E olha, acredito que poucos não acreditavam em Deus ou não possuíssem fé suficiente para ajoelharem-se e pedirem por dias melhores.

E lá é justo sair medindo a fé ou a crença das pessoas?

Este ano a coisa ficou feia também no Rio de Janeiro, onde as chuvas causaram grandes estragos, talvez ainda maiores que nos outros supracitados, e nesses três exemplos, é evidente que muita coisa poderia ser evitada e grande parte desses desastres ambientais seriam sentidos com menos impacto se a nossa querida Gaia não estivesse tão devastada.
Mas será que ainda há muito o que se fazer?
Nem bem recuperados, hoje assisto um bom tanto de Santa Catarina e o Litoral do Paraná ficarem ilhados novamente devido a deslizamentos de barreiras nas rodovias, problemas sérios de contaminação de água tratada e falhas absurdas nos modelos habitacionais.
E aí, vamos chamar isso tudo de “desastre natural” até quando?
Acho que precisamos entender bem, em tempos de “sustentabilidade” em voga, o que é mesmo desastre inevitável e o que é mesmo ação impensada do homem.
Pensando um pouco mais a respeito, lembro também do Tsunami que devastou vários países asiáticos em 2004. De fato não houve como prever, e acredito sim, neste caso, em catástrofe geológica. Mas aí, questiono que embora triste, este tipo de situação não tem como ser evitada, mas será ela passível de prevenção?
Não quero aqui engrossar o coro dos que vociferam bobagens, mas muitas vezes, levada ou não pelo senso comum, acabo concordando com teorias cada vez mais pessimistas e repito – embora me choque penalizada por aqueles que perderam suas vidas ou perderam seus entes queridos, não consigo me surpreender muito.

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No fim a gente acaba apelando para o sentimentalismo, embora doa, não dói fundo na gente não é? Enfim, concluo enfaticamente que nossos problemas, na maioria das vezes, não são nada!