Alea Jacta Est...
A sorte foi lançada, as cartas estão todas na mesa, prestes a serem viradas.
Aquela cartomante que atendia na esquina, mal sabia da minha vida, nem me conhecia. Cortou o baralho e o abriu em cruz, pedindo que eu distribuísse as cartas.
E assim ela lia meu destino, como quem abre um livro e o lê pela primeira vez, motivado pela curiosidade que a capa lhe desperta.
Seria então o destino um jogo de cartas marcadas por Deus e eu mera coadjuvante das conseqüências das escolhas, daquelas feitas por mim e de todas aquelas feitas por aqueles que estão a minha volta?
Poderia eu então não somente folhear as páginas de meu passado incompleto, como também vislumbrar as páginas fechadas do meu futuro, antecipar os acontecimentos em minha mente, me calcando de todas as artimanhas que me livrassem do sofrimento?
(...)
Estaria eu envolvida em uma cápsula protetora, e nada, absolutamente nada mais poderia me atingir.
(...)
Seguro entre as mãos meu livro dos dias e rasgo as folhas uma a uma, não preciso mais delas.
Agora eu, sozinha, senhora da minha vontade e da conseqüência dela.
(...)
É claro que se eu não der o passo inicial, nada do que foi previsto acontecerá, nada será consumado. Elegerei para meu karma futuro o cumprimento das pagas e dos prêmios reservados a mim nessa vida e me envolverei numa fuga inútil.
Eu, logo eu sempre tão incrédula, adepta de um ceticismo irritante, me enveredava pelas palavras de uma senhora de meia idade, sotaque catalão e unhas compridas.
(...)
Não fossem os contos de terror que eu lia, as histórias fantásticas dos HQ’s adultos e a trave que agora está embotando minha visão, enxergaria tudo claramente, qual ave de rapina em busca da presa.
Não importa, são apenas palavras soltas de alguém que se arrepende daquilo que fez, mas que não pode voltar no tempo e apagar com mata borrão a tinta derramada pela pena no papel.