Normalmente os filmes, por mais água com açúcar que sejam, exercem uma influência séria sobre mim. Uma delas é fazer com que eu fique refletindo determinas passagens por horas, dias, às vezes meses.
Um dos últimos que assisti no cinema, foi
Remember Me, um filme de enredo bonitinho, história triste para fazer chorar, e com o rosto perfeito do
Robert Pattinson, aquele mesmo da saga Crepúsculo (
tudo bem que eu tive vontade de ser adolescente novamente pra poder ficar gritando “ROOOBEEERRTT LINDUUU” no meio da sala sem vergonha nenhuma, mas como sou uma adolescente de 28 anos, me limito a dizer: Deixa eu sentir essa coisa tola de volta, porque me faz muito bem).
Bom, você deve estar se perguntando o que esse filme me fez repensar, considerando que as críticas a respeito dele o colocam na profundidade de um pires, e eu o elencaria dentro do sádico heroísmo norte-americano, que teima em fazer alusões as torres gêmeas que explodiram num ataque terrorista em 11 de setembro de 2001.
Sim, o mocinho morre no final, nas torres.
Faz total sentido ele morrer no final da história, devido ao melodrama arregado, mas acredito que os roteiristas e diretores poderiam ter escolhido outra situação... enfim.
Voltando a mim, o filme me trouxe (por incrível que pareça, torno a repetir) algo além da lembrança de emoções que fico contendo. Me fez pensar nas pessoas que amo e na incapacidade de perdoarmos quando ainda há tempo.
Quero dizer que as vezes a gente leva muito tempo remoendo tolices pra expressar o quanto amamos e o quanto queremos estar próximos das pessoas que nos fazem bem.
E aí, quando pensamos no perdão, é tarde.
E não é só nos filmes que as pessoa vão embora, mudam de cidade, de lugar, de cabeça ou que simplesmente terminam a história num trágico ponto final.
É aí que “cai a ficha” de que somos limitados, que não há tanto tempo como pensávamos, que a pessoa deixou a nossa vida e talvez a própria vida, com um imenso buraco, um vazio e a dúvida do temeroso “se”.
Nós nos apegamos a valores fugazes como os discursos ensaiados de que “devia ter pensado antes de magoar” pra não ter que pedir perdão depois e para evitar o orgulho quebrado em conceder perdão.
Passamos um longo tempo no escuro.
Não está escrito em lugar algum qual a fórmula mágica para não cometer deslizes, e quem os comete tem um ponto crucial dentro de si que o acusa com a dor pungente:a consciência. Se o “infrator” pune a si próprio, que direito temos de não conceder o perdão para que possamos também cessar nossas dores?
É claro que há situações em que o perdão não apaga a mágoa ou a dor, porque são aquelas em que se originam de relações onde não há o elemento amor em questão. Não são relações de amizade, de matrimônio nem tampouco se tratam de relações filiais. Então, nessas situações não é possível manter a convivência pacífica por mais de 5 minutos sob o mesmo metro quadrado, mas ainda assim é possível perdoar, o que não se pode é reconstruir laços que nunca existiram.
No meu ver, no entendimento que tenho do perdão, em se tratando das relações que envolvem o afeto e amor, o perdão implica na nova aceitação da pessoa em sua vida. Implica também em passar uma borracha sincera nas falhas passadas, virar a página e começar a escrever novamente um outra história. É como abrir os braços para aqueles que falharam, como nós, e apostar no que de melhor há de vir.
Porém, quando não há amor suficiente, é preciso que haja o perdão, mas não há relação a ser restabelecida.
_______________________________________
O objetivo desta postagem não é necessariamente versar sobre o perdão, mas rrefletir o sentido que o perdão teve no filme que assisti.
Adorei essa frase:
eu o elencaria dentro do sádico heroísmo norte-americano